terça-feira, 25 de outubro de 2011
PRIMAVERA ÁRABE FEMININA
Adoro livros biográficos que contam histórias de mulheres que vivem em países em desenvolvimento e principalmente nos países pobres, onde elas mostram como superaram as barreiras da fome, miséria, falta de educação e principalmente mostram as distinções de tratamento entre homens e mulheres, que são claríssimas nos países Africanos e alguns Asiáticos.
A Primavera Árabe (Os protestos no mundo árabe em 2010-2011, é uma onda revolucionária de manifestações e protestos que vêm ocorrendo no Oriente Médio e no Norte da África desde 18 de dezembro de 2010), trouxe bastante conflitos e com pesar, mortes. Mas com esses conflitos também vieram muitas conquistas, principalmente para as mulheres de alguns desses países, e podemos até afirmar que estas mulheres foram as protagonistas deste cenário de transformações.
Nestas localidades (Ásia e África) os direitos humanos nunca foi um assunto levado muito a sério, principalmente quando se tratavam de mulheres. Apenas no ano de 2002 os países árabes concluíram que existem três fatores que auxiliaram na estagnação dessa região, assim segue:
1º Falta de leis de direitos humanos femininos;
2º Falta de liberdade política;
3º Educação de má qualidade.
Agora que a constituição do Egito e da Tunísia estão sendo reescritas, as mulheres desses dois países, que foram os primeiros a levantar a bandeira da Primavera Árabe, esperam que seus direitos sejam levados em conta e que realmente sejam respeitados ativamente.
Desde os anos 70 que o Egito estava regredindo, isso pelo fato de que muitos grupos religiosos, extremamente conservadores, estavam evoluindo emquantidade e qualidade no país. Hoje a situação do Egito é diferente. As mulheres egípicias podem trabalhar, estudar, votar e se eleger a cargos públicos. No entanto, apenas 58% desta população são alfabetizadas, e apenas 23% estão no mercado de trabalho. Outro fato de diferença de tratamento, é que quando há herança, as mulheres tem direito a apenas 50% do valor que lhe é devido. Ou seja, a outra metade é dividida entre os homens da família. Outro fato importante é que o marido pode se divorciar de sua esposa a qualquer momento. Enquanto que a esposa, caso venha a pedir o divórcio, se tiver punho mesmo, perde totalmente a guarda dos filhos do casal.
Já na Tunísia, os direitos das mulheres já se encontram mais favoráveis. Neste país, as leis são basicamente as mesmas para o homem assim como para a mulher. Divórcio, poligamia, educação e leis trabalhista são iguais para ambos os sexos. E vejam só, até o aborto foi liberado na Tunísia. A taxa de alfabetização na Tunísia é de 70% das mulheres e 27% delas estão inseridas no mercado de trabalho. Comparando a Tunísia e o Egito, 2/3 das mulheres da Tunísia estão na universidade, enquanto 2/5 das Egípicias estão cursando uma graduação.
Os ditadores estão caindo e espero que o futuro dessas mulheres que passaram por humilhações inimagináveis venha pleno de respeito à igualdade de raças, cor e religião. E que assim como as mulheres dos países desenvolvidos elas possam de alguma forma contribuir para o futuro de seus países e das futuras gerações.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Muito bom o artigo Isa!!! É incrível a diferença entre o tratamento dado aos homens e às mulheres dessas regiões. Na Globo News, se não estou enganada, passará um documentário falando exatamente sobre isso. E também haverá uma palestra deste mesmo assunto na Fliporto desse ano!
ResponderExcluirParabéns!!! E você ainda publicou esse artigo antes de sair na mídia!
Um Bjo,
Cris