quinta-feira, 22 de julho de 2010

Chefe Confiante, Mas Nem Tanto


Você é confiante mas não tem tanta certeza... Esta afirmação chega a ser paradoxal, mas muitas vezes é o que sempre ocorre. Essa é a essência do que o psicólogo John Meacham entitula de "Atitude de Sabedoria". Essa mistura de confiança e dúvida é uma boa descrição do que acontece com a maioria dos gerentes e diretores que conheço.
A ideia de Meacham foi aprofundada pelo psicólogo organizacional Karl Weick, quando o mesmo endossou que "essas pessoas que se consideram inteligentes e competentes tem a coragem de agir baseadas em suas crenças e convicções, ao mesmo tempo em que elas tem a humildade de perceber que podem estar enganadas e precisam se preparar para mudar seus paradigmas e ações, quando informações contrárias pedem um novo rumo para tomada de decisões".

Houve, certa vez, numa conferência no Vale do Silício (CA, EUA), entre o guru da inovação Clay Christensen e o CEO da Intel, Andy Grove, publicada pela Harvard Business School Publishing, onde Grove destacou que segue a linha deste post. "Nenhum de nós tem a certeza de para onde estamos indo, ao menos eu não tenho. Eu apenas sigo as minhas intuições, auxiliadas por minha experiência e conhecimento do mercado e decido qual caminho seguir prontamente. Decisões não esperam, sejam elas sobre investimentos ou pessoais. Além disso, temos pressa em priorizar as ações para ter um diferencial e seguir na frente de nossos concorrentes". Ele ainda dá duas dicas durante a conferência:

1. Aja baseado nas suas convicções temporárias, como se fossem as melhores. Não espere muito para tomar a decisão.

2. Quando você perceber que agiu errado, corrija o rumo da situação o mais rápido possível.

Esta balança entre confiança e dúvida é um ponto essencial para chefes competentes. A confiança do chefe inspira as pessoas à sua volta a segui-lo e a confiar nele e em si mesmos. Por outro lado, a dúvida convida as pessoas ao redor a expressar suas opiniões, se envolvendo mais com seu chefe e a empresa como um todo.

Frank Hauser, diretor de palco renomado nos EUA, foi questionado sobre esse tema e ele argumentou que como diretor ele tinha três armas: o "Sim", o "Não" e o "Não Sei", use-as, você pode sempre mudar sua opinião depois.

Muitos dos CEO's que admiro como A.G. Lafley (P & G), Indra Nooyi (Pepsi) e Anne Mulcahy (XEROX) apresentam habilidades de agir confiantemente nos assuntos que eles tem expertise, ao mesmo tempo que duvidam um pouco de seus demais conhecimentos. Eles aprendem a cada dia com essas dúvidas, sempre abertos a novas e divergentes opiniões. Sem essas dúvidas as portas para novos conhecimentos estariam fechadas, e é bem provável que eles seriam arrogantes, tendo a certeza de ter sempre a verdade suprema.

Mesmo você tendo quase certeza de que está no caminho certo, fique sempre atento às novas informações mercadológicas, estando sempre em alerta a possíveis problemas e oportunidades, a fim de agir de forma a aprimorar sempre as decisões de sua empresa. Deixe sempre a porta aberta!

Um comentário:

  1. Oi Isabella,

    Estou acompanhando seu blog e achei interessante. Esse último artigo é engraçado, por que as vezes pensamos que nosso chefe tem resposta para tudo. Quando geralmente é isso que ocorre, ele toma a decisão que lhe parece melhor, e se der errado... geralmente a culpa é minha :)

    Abraço e parabéns,

    Gustavo

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